O tema que vos gostaria de propor não são os filmes de terror. No entanto este tema provoca também arrepios, suores, sofrimento e até poderia dizer-se que este tema é para um tipo se cagar de medo.
Sim, hoje vou falar do aperto intestinal. Aquele que nunca o tenha sofrido será um desses ignorantes que pensa que a pior dor é a dor de dentes ou a dor de parto, ou um tiro na barriga, ou uma cólica nervosa ou inclusive a tão conhecida patada nos tomates: aquela em que nos sentimos como se tivéssemos a pele em ferida e nos deitassem sal por cima… no entanto as pessoas que tenham sofrido o aperto intestinal, sabem com certeza daquilo que estou a falar e de certeza que vos ficam os pêlos todos eriçados só de pensar que pode acontecer de novo e a qualquer instante.
Mas a pior coisa relativa ao aperto intestinal é que aparece de surpresa e então ficamos com a certeza de que estamos perdidos.
Imaginem:
Era um sábado à noite e estava eu com os meus amigalhaços num desses festivais de verão. Estávamos a comer cachorros numa dessas roulottes ambulantes. De repente, senti que os intestinos se estavam a mexer, um puxão fez-me contorcer de dor e pensei ingenuamente “Eu consigo resolver esta dor com um bom peido”. Então, dirigi-me disfarçadamente para perto das colunas de som para que a música disfarçasse o ruído da minha incontida ventosidade, mas o sítio das colunas estava abarrotado e como não me podia separar do resto, tive que escolher uma vítima… assim que coloquei as minhas costas junto ao cabrão que estava a micar a minha miúda do meu amigo e... “Toma lá disto, mamão!”. E Zás!
Descobri horrorizado que o meu peido não era totalmente etéreo e gasoso como desejava e tive a certeza que esta noite também não ia ter sexo, mas desta vez porque não o desejasse, mas sim porque por nada deste mundo deixaria que a minha miúda visse o novo tecido estampado das minhas cuecas… e o pior de tudo… sabia que as tinha rasgado…
O meu peido deixou com certeza um caminho expedito a tudo o que vinha atrás. E nisto não há quem vos consiga parar. E de repente soube que no meu organismo se activou uma bomba relógio que já começou com a fatídica contagem decrescente.
Inevitávelmente vai acabar por rebentar. DEZ, NOVE… Nunca desejei tanto na vida ter estado num restaurante… ou melhor ainda… na minha própria casinha. Mas a fatalidade quis que estivesse numa roulotte de cachorros, o tempo é um factor crítico e já não há hipóteses de escolha.
Procurei um w.c. de um café. Quando lá cheguei havia uma fila à porta… SETE, SEIS… passou-me pela cabeça a hipótese de os matar a todos. Decidi que, ao fim e ao cabo, quem é homem sempre aguenta mais um bocado… CINCO… comecei a chorar, a gemer, pus-me de joelhos e supliquei para que me deixassem passar, que era uma verdadeira urgência, a vida ou a merda.
Ignorei as gargalhadas e avancei até me conseguir meter no único cubículo que havia no w.c. À porta faltava-lhe o trinco, mas isso também já pouco importava. Estava contente porque pelos menos havia uma sanita, em vez de um mísero e imundo buraco no chão.
De facto comecei a reparar nos pormenores.
Colocar o meu traseiro sobre o tampo salpicado poderia provocar-me uma úlcera do glúteo ou pelo menos alguma alergia. Ocorreu-me a genial ideia de que poda cobrir aquilo com papel higiénico e então descobri, com horror que efectivamente e tristemente, não havia papel higiénico. E recordei com raiva que o sábio mas desinteressado conselho da minha mãe sobre levar um pacote de lenços de papel no bolso não era afinal assim tão ridículo como me parecia naquela altura. De repente surgiu um raio de luz e esperança quando me lembrei que tinha guardado alguns guardanapos de papel do cachorro quente no bolso.
Os americanos são realmente muito evoluídos! Com toda a razão estão por todo o mundo. TRÊS, DOIS… coloquei rapidamente os guardanapos a cobrir a zona do assento, mas o contacto com a sanita faz com que os guardanapos se dissolvessem e comecei a pensar que aquilo afinal devia estar composto por ácido sulfúrico…
UM e… acabou-se o tempo, baixei as calças com agilidade e desde uma distância razoável apontei com rapidez e… ZERO.
AAAAAAAAAAHhhhhhhhh… Fantástico! Eu era feliz, foi como um orgasmo. A pior coisa é que não pude relaxar e fumar um cigarrito. Alguém bateu na porta e empurrou-a, dei a volta para a segurar com o rabo tentando que as minhas calças não entrassem em contacto com aquele chão, habitat de sapos, cobras e seres uni e pluricelulares variados. Então contemplei um terrível panorama. Se Guilherme Tell tivesse tido a mesma pontaria com o arco do que eu com o rabo, possivelmente o Guilherminho, o seu filho, o autêntico herói da história, teria levado a vida toda uma protuberância em forma de flecha à frente.
Certamente já era tempo de os americanos fabricarem guardanapos de papel maiores. Só existia uma maneira de solucionar aquilo… sacrificar os meus cromos da sorte que tinha guardado na carteira. Sim, eram os meus cromos da sorte, mas morreram a desempenhar um acto de valor… Então, tirei-os para tentar limpar aquele holocausto, mas uma brecha de ar fresco fez com que eu me lembrasse que a primeira coisa era literalmente salvar o meu traseiro.
Não é que tivesse algum ‘tarzan’ ou a família inteira de Chita pendurada cada um nas suas lianas. Mas se eu não o fizesse eles iriam integrar-se nas minhas calças de ganga. Primeiro as prioridades. Utilizei então o meu talismã da sorte para a minha higiene pessoal.
Respirei fundo e a situação agora era a seguinte: As pessoas a baterem à porta, a sanita coroada com uma obra de arte contemporânea, os meus boxers odoríferos segurados pelo meu polegar e o indicador da mão direita…
E eu apenas queria era sair dali o mais rápido possível, então atirei os cromos para dentro da sanita, puxei o autoclismo… e quando vi que a sanita estava entupida e ia transbordar, saí a correr dali sem me dignar a olhar para ninguém cara a cara, agarrei na minha miúda que estava perplexa com a mão direita e ao sair para a rua sabia que àquele lugar nunca mais poderia voltar porque tinha feito borrada… ou melhor… porque o borrei todo.
O Aperto Intestinal
Publicada por Nuno J. Loureiro à(s) quinta-feira, agosto 28, 2008
2 deixaram Buquados:
E por falar nisso...
vou ali e venho já... :-)
..........
aí está uma verdadeira dificuldade humana... conter...lol
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