Agosto está a chegar ao fim e com isso o meu "segundo" emprego.
Toco em casamentos. Sim, sou músico aos fins de semana quando não estou a fazer Teatro.
No entanto, já fui convidado para muitos casamentos. Mas sempre que recebo um convite fico aborrecido. Porque sempre que isso acontece é como se tivesse recebido uma multa em casa. Há que abrir os cordões à bolsa.
Mas os casamentos são umas festas autênticas. Sobretudo para algumas mulheres que ficam disfarçadas tipo ovos da páscoa, como aqueles embrulhos brilhantes com enormes laços no chapéu. “Tia? É você ou o Alien VIII?”
O mais impressionante são as bolsinhas diminutas que as mulheres levam para os casamentos.
Que é que elas levarão ali? Apenas um penso higiénico extra plano, não? E sem abas, porque senão dava para vê-las a espreitar pela bolsa...!
Sim, isto dos casamentos é um autêntico fenómeno.
Só há uma coisa que odeio nos casamentos. São as esperas. Ficamos sempre meia hora à porta da igreja com as mãos a suar cheias de arroz. E quando os noivos saem, atiramo-lhe o arroz já cozido e tudo. Agora... o pior são os miúdos! Esses atiram o arroz à cara, com um sadismo!!! “Viste, viste? Acertei-lhe em cheio no olho!!!”
E o coitado do noivo, ali a aguentar. Por outro lado, há quem faça questão de atirar arroz para o decote da noiva, tentando sabe-se lá porquê ir recuperar o arroz que caiu lá dentro. Para quê?
Odeio os casamentos. No último casamento a que fui, nem sequer conhecia a noiva. Quando fui felicitar os noivos, tive que me apresentar:
- Olá, eu sou o Nuno Loureiro, amigo da escola do teu irmão, que andava com a Joana, irmã da minha namorada.
- Ah, muito prazer, obrigada por teres vindo.
Eu já tenho reparado que as noivas no fim da cerimónia, estão tão encandeadas, tão hipnotizadas que nem se apercebem de quem está a falar para elas. Vai dar tudo ao mesmo.
- Emprestas-me uns 5000 euros para pagar a entrada para um apartamento?
- Ah, muito prazer, obrigada por teres vindo.
Ou
- Sou um exibicionista psicótico e estou aqui para te mostrar o pilau.
- Ah, muito prazer, obrigada por teres vindo.
O que mais detesto nos casamentos é o momento da deslocação para o copo d’água. A nossa mãe enfia-nos sempre as nossas tias no nosso carro. E se o carro tiver duas portas, temos que as enfiar aos empurrões lá para dentro. O vestido sobe-lhe até à cintura e vão o caminho todo de pernas ao léu. Mas a elas tudo lhes é engraçado naquele dia:
- Nuno, sobe a janela, uuuuhh, hi hi hi hi hi, estou a despentear-me toda. Segue, segue o tio João, que ele sabe o caminho, uuuuhhhh, hi hi hi hi hi.
Pimba, a fila de trinta e tal automóveis, a tocar a buzina. E se o primeiro carro passar o semáforo ou o cruzamento e deixar os outros para trás... emergência, emergência.
Toda a gente a sacar do telemóvel:
- Atenção, virámos à esquerda, estão a ver o tio João, egggg. Nós estamos a dar voltas à rotunda, eggggg, a ganhar balanço, eggggg, alô estás à escuta, alô estás à escuta... Pato vermelho para Pato azul, perdemos o tio João Tio João, responde... câmbio, escuto, eggggg
É uma autêntica desgraça. E quando chegamos ao restaurante, o tio João já lá está sentado há horas e ainda por cima diz:
- Foda-se, por onde andaram vocês?
A única coisa que está bem organizada nos casamentos é a distribuição dos idiotas: põem um em cada mesa. Mas distribuição da comida é completamente descontrolada. Já estão a trazer a sobremesa e na nossa mesa ainda não chegou o prato do bacalhau.
O melhor de tudo são os fotógrafos. Primeiro que tudo, se não fossem eles, os casamentos não existiam, porque são eles que têm que dar autorização para tudo.
- Vá, entrem na igreja... agora um beijinho... podem sair da igreja... alto... esperem... podem avançar... mais devagar por favor... noivo, ponha uma cara mais alegre, parece que está num enterro... noiva, podia ter disfarçado melhor as olheiras... os padrinhos do noivo podem aproximar-se... vá juntem-se todos... apertem-se mais porque não os apanho a todos... vá... enche o peito de ar quieto não respira... já está...
E está a foto de grupo tirada... a uma distância tão grande que as pessoas da última fila já precisam de uma legenda para serem identificadas...
No copo d’água, o cameraman é o Rei. A câmara aproxima-se e toda a gente julga está num concurso de entretenimento. O idiota, põe um guardanapo na cabeça, o Tio João canta o Vira de Santa Marta e há sempre uma das tias que desata a chorar:
- Meus filhos, desejo que gostem muito um do outro e que vos ameis para sempre...
Caramba, isto é o que acontece no dia mais feliz da vida dos noivos????
O baile é o mais engraçado... os noivos abrem “oficialmente” o baile com uma valsa, mas curiosamente, a maior parte deles não sabe dançar uma valsa... E é no dia mais importante das suas vidas, que toda a gente do restaurante pára para apreciar a falta de coordenação motora dos noivos.
O que eu menos entendo é porque é que os noivos vão de mesa em mesa a perguntar:
- Então que tal? Comeram bem?
Só dá vontade de lhes dizer:
- Olha, não. A comida estava uma porcaria, e ainda por cima fiquei mesmo ao lado da aparelhagem dos músicos.
Mas não. É óbvio que dizemos que tudo estava perfeito. E assim com uma mentira, os noivos começam a sua vida de casados.
Claro que não será a única...
Enfim! E vivam os noivos, mas não me convidem para mais casamentos! Sem ser para tocar, porque tal como disse, sou músico...
Meu querido mês de Agosto...
Publicada por Nuno J. Loureiro à(s) quarta-feira, agosto 27, 2008
4 deixaram Buquados:
Estás mesmo inspirado. Tenho a informar que costumo levar na bolsinha o telemóvel, que ao contrário dos idiotas , desligo na missa , chaves do carro e um gloss, claro "chiqui di doer";) E tenho dito;)
Já agora... há sempre excepções... embora identifique muitos dos teus pormenores... já fui a casamentos (da geração 79) que foram bem divertidos;)
Efectivamente... estás um poço de inspiração!!!
... porque é que a bolsinha tem que levar um "penso higiénico extra plano?" "E sem abas..."? (se bem que um tampão ocupa muito menos espaço!!! :-) )
Pode bem ser as chaves do carro, sim, porque ao contrario do que alguns poderão pensar não precisamos de motorista, um gloss (porque o usamos todos os dias e não só nos casamentos) e porventura lenços de papel (kid's-pq a embalagem é mais pequena).
Mas seguindo o registo de tanta inspiração...
ainda percebes alguma coisita de pensos higiénicos!!! Sim, percebo que é benéfico saber de tudo um pouco, mas podemos questionar se terás alguma vez sentido necessidade dos mesmos para a incontinência urinária???!!! :-)
Abreijos
Casamentos, hummm!! os da Geração de 79 costumam ser muito interessantes, falo pela experiência, normalmente quando um colega da minha idade comete o suicido de casar logo surgem duas ideias entre o conjunto de machos:
1- Leva-lo a uma despedida de solteiro, sem nada daquelas coisas na cabeça (entenda-se caral&%nhos) e tentar demove-lo da ideia com o recurso a umas lap-dances e afins, caso não esteja resultar emborrachar o homem até que volte a razão.
2- Caso isto não resulte teremos eventualmente de aceitar a baixa de guerra, então dirijimo-nos até ao local da cerimónia e não percebemos a alegria das pessoas pois estamos perante a perda de um amigo.. Acabaram-se os jogos de futebol a sexta noite, as noites de copos sem horas de chegar a casa, etc...A solução passa portanto por anestesiar-mo-nos o suficiente durante o almoço, se bem que sempre achei estranho que um almoço comece as 5 da tarde e acabe por voltas das 3/4 da manha. podiam chamar-lhe Aljantar de casamento. Depois existe outra questão que me preocupa, se é um momento de alegria em que as mulheres extravasam em termos de indumentária, porque é que os homens vão sempre de fato, quer seja um casamento baptizado ou funeral a indumentária é sempre a mesma.- fato. de vez em quando lá aparece um radical com umas All Stars e de fato.. eu simplesmente não uso gravata pois o momento já é triste quanto mais ainda ter uma corda ao pescoço..
É óbvio que tudo o que aqui escrevi é completamente falso, pronto talvez não seja assim tão falso mas também não é tudo completamente verdade, pronto vá lá, um meio termo.. agora curtia mesmo era ver o loureiro a por em pratica a sua ideia pessoal de casamento, tijelinha de barro, corrida de sacos etc...
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