ELIXIR (n. masc.). Derivado do grego KSÊRION (medicamento de pólvora seca), através do árabe AL-IKSĪR (pedra filosofal dos antigos), deu em francês a forma ESLISSIR (séc. XIV), mais tarde fixada em ÉLIXIR (1676) (preparado medicinal), que se pronunciava, como hoje, [eliksir].
A forma portuguesa ELIXIR segue na grafia a forma francesa, sendo no entanto a sua pronúncia objecto de algumas confusões pelo facto de o grafema x poder representar 5 sons diferentes, apesar de em latim e grego valer sempre por [ks]:
[s] próximo < latim PROXIMU- [próksimu] (o que está mais perto)
[z] exame < latim EXAMEN [eksámen] (verificação)
x = [?] enxame < latim EXAMEN [eksámen] (grupo de abelhas)
[ks] oxítono < grego ÓKSÚTONOS (som agudo)
[gz] hexâmetro < grego HEKSAMÉTROS (medida de seis pés)
Estes resultados diferentes devem-se a causas diferentes: o contexto (o x em posição medial em latim tanto deu – ss –, DIXIT > disse, como – x –, COXAM > coxa); a via pela qual cada palavra entrou no Português (nas palavras eruditas, o x é pronunciado [s], como em próximo, mas também [z], exame); a época em que entrou, seguindo a realidade mais frequente na época; se vieram directamente do latim ou do grego, ou indirectamente através do árabe; ou se deram origem a palavras com significados diferentes, de que exame e enxame, que derivam do mesmo étimo latino – EXAMEN –, são um bom exemplo: temos aqui uma diferenciação gráfica e fonética, justificada exclusivamente pela diferenciação semântica; a partir do momento em que a mesma palavra (examen) passa a ter dois significados diferentes (avaliação e grupo de abelhas), adquire formas diferentes (exame e enxame), para evitar a homografia.
A palavra ELIXIR, com esta forma, entrou no Português já tardiamente, emprestada do francês, com a pronúncia [eliksir]. No entanto, como encontrou a já referida diversidade fonética representada pelo grafema x, tendeu a ser pronunciada igualmente com esta diversidade, [elissir] (como no francês antigo), [eliςir], e [eliksir], tendo sido todas estas formas, de alguma maneira, aceites pelo sistema linguístico, embora sem que fossem dadas justificações sólidas.
O facto de se tratar de uma palavra de pouco uso, nenhuma das suas formas fonéticas poderá ser considerada popular, no sentido de ser considerada como “consagrada pelo uso”. No entanto, de entre as três formas fonéticas, aquela que deverá merecer mais aceitação será a única que melhor conserva a memória etimológica: [eliksir], onde se encontra o som [ks], que se manteve inalterado nos três grandes momentos históricos da palavra: no étimo grego KSÊRION, na forma árabe AL-IKSĪR, e na forma francesa ÉLIXIR [ks], de onde derivou directamente a forma portuguesa.
LUIZ FAGUNDES DUARTE
- Licenciado em Filologia Românica
- Mestre em Linguística Portuguesa Histórica
- Doutor em Linguística Portuguesa (Filologia)
- Professor Agregado (Linguística Histórica)
- Professor Associado (História da Língua Portuguesa)
- Consultor do Ciberdúvidas da Língua Portuguesa (no início do projecto)
- Um dos responsáveis pelo projecto, em execução, Dicionário Crítico-Etimológico da Língua Portuguesa.
Ou seja: tantos anos e eu estava errado...
NO MELHOR PANO CAI A NÓDOA...
BUUUUUUÁAAAAAAAAAAAA...
Esclarecimento
Publicada por Nuno J. Loureiro à(s) domingo, junho 08, 2008
2 deixaram Buquados:
hihihi Vês???
Tu não acreditavas na inteligencia das 5 mulheres que te contrariaram na tua grande sapiência??? Pois é!!! Nós temos razão!!! yuppy!!! Conseguimos destornar o grande MESTRE! lol
Esquece, tanto bla bla bla para no fim dizeres EU ESTAVA ERRADO!!! Boa! Gosto quando assumes que TU também erras! Chama-se a isso humildade e é sem dúvida anexo da tua grande pessoa! Ha! menino mais inteligente!!! (mas desta vez não mais do que nós lol, perdeste para duas loiras e tres morenas hihihi) beijão!!!
Um grande bem haja às tertúlias de Domingo!!! Estou a ficar viciada!! :) É só gente de conteúdo! Sabe bem!! :) beijinhos a todas (Sandrinha, Helena, Rita, Zi e a ti Loureiro :)
Vamos tomar agora o ELIXIR da juventude??? hihi
Deixa lá meu querido.
Errar é humano.
E é por isso mesmo que gostamos tanto de ti.
Muak!
;)
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