From Bremen,

Já não fazia isto há muito tempo. Escrever. Pôr uma parte de mim visível a todos os que têm partilhado a minha vida nos últimos tempos. Têm-me pedido para deixar aqui algumas palavras mas até hoje os assuntos têm-me faltado. Não por escassez de tempo ou falta de vontade, mesmo porque as palavras não fluem do jeito que eu gosto. Espontâneas. Quando tudo é forçado a mensagem perde-se.

Felizmente hoje acordei com o estímulo certo para que os dedos começassem a pressionar o teclado quase de olhos fechados. Bastou uma música para que me decidisse a dedicar este pequeno texto a todos vocês. Cada um por diferentes motivos mas todos pela mesma razão.

Toda a vida, que ainda não é longa, ouvi dizer que só quando se está longe é que se percebe a magnitude de tudo o que deixamos para trás. Mas tal como outras teorias que nos são impostas diariamente também sobre esta estava relutante; seria mesmo verdade? Ao fim de tão pouco tempo distante de todos vocês, tenho de admitir que o sentimento é bem real. Uma virtude desta língua é possuir a palavra correcta para definir exactamente o que me vai na alma: saudade. Que só agora sei o que deveras significa.

Talvez fosse simples superar as saudades se sentisse falta de coisas que se tornam banais pela frequência com que são feitas; ver um filme, jantares, cafés, festas, discussões sobre a real capacidade do homem para proporcionar romantismo ao sábado à noite. Tudo isto é saudade quando temos a noção de que as podemos eliminar num curto espaço de tempo. Mas o que eu sinto já ultrapassa largamente essa escala.

O sorriso ou o riso incontrolado. A energia (transmitida), a aparente robustez de um temperamento e o seu lado frágil. Um olhar. Um abraço, um toque, um aperto de mão. Um beijo. Faltam-me estas e muitas outras pequenas coisas. Faltam-me as partes constituintes de um segundo, a base de um momento.

Faltam-me todos vocês. E não há dia que passe que não pense nisso.

Beijos e abraços (distribuídos segundo o sexo dos receptores – porque nem a distância me altera gostos pessoais),

James

3 deixaram Buquados:

Eye Shadow disse...

Welcome back James!!!

A distância apenas separa os olhares...

Força!!!

Beijinho grande :P

Paula Milka disse...

Provérbios e Cantares

In; Machado, Antonio. Poesías completas.
"Caminhante, são teus rastos
o caminho, e nada mais;
caminhante, não há caminho,
faz-se caminho ao andar.
Ao andar faz-se o caminho,
e ao olhar-se para trás
vê-se a senda que jamais
se há-de voltar a pisar.
Caminhante, não há caminho,
somente sulcos no mar."
Ou em Espanhol...



"Caminante, son tus huellas
el camino y nada más;
Caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.
Al andar se hace el camino,
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar.
Caminante no hay camino
sino estelas en la mar."

Amigo fica para ti um poema que me acompanha de uns anos a esta parte... e quando as forças dão de si... penso sempre... caminhante, não há caminho, faz-se o caminho ao andar... E tens sempre aqui o nosso porto seguro para recuperar forças;) E siga a marinha:)
beijinhos também com saudades do teu humor único:)

Soniba disse...

Devo-te confessar que me custou um Bucuado até ter coragem para comentar este teu magnífico Post...
Continuas com o dom da palavra! Elas realmente fluem-te de um jeito incomparável.Só teu...
A palavra-chave que mais me salienta é deveras a: SAUDADE!
...E dizer-te apenas que me faltas tu. E não há dia que passe que não pense nisso. Tenho-te no coração.